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21 de Outubro de 2020

O retorno dos escritórios de Advocacia - Artigo Jurídico

O atendimento a distância evoluiu muito, temos atualmente teleconferências, videoconferências e web-conferências, nas mais variadas plataformas, permitindo maior rapidez no atendimento ao cliente, o que seria impossível há 10 anos

Bernardo César Coura, Advogado
Publicado por Bernardo César Coura
há 26 dias

Uma pesquisa realizada recentemente com escritórios de advocacia de todo o país, evidenciou que boa parte dos escritórios vai aguardar mais alguns meses para a volta às atividades de forma presencial.

Segundo o trabalho realizado pela LETS Marketing, empresa de consultoria especializada no mercado jurídico, 35% das bancas consultadas pretendem esperar pelo menos até o fim do primeiro semestre para reativar o escritório, 10% vão aguardar até o fim do ano, 1%, até 2021 e 6% não planejam voltar completamente ao trabalho presencial — uma prova de que o sistema de home office tem agradado bastante.

Portanto, 52% dos escritórios que participaram da pesquisa não estão baseando seus planos nas decisões dos governos federal, estaduais e municipais.

Devemos ressaltar que, a advocacia se enquadra dentre as poucas e privilegiadas profissões, onde o trabalhador pode exercer o seu trabalho de forma “online” por meio de sistemas integradas em nuvem (cloud system), acesso ao PJE (Processo Judicial Eletrônico), sistema processual eletrônico e realizar os atendimentos por meio de teleconferência, web-conferência, ou atendimentos online virtuais.

Mesmo assim, boa parte da arrecadação dos escritórios, sofreu uma redução entre 40% a 60% no faturamento médio, tanto pela crise no mercado, mas especialmente pela pandemia de COVID-19 que assolou o país.

Grande parte dos consumidores de bens e serviços, durante este período de pandemia, adotou também, uma postura mais cautelosa no consumo de bens e serviços, o que refletiu diretamente nos mais variados mercados.

Em razão das incertezas, uma boa parte das firmas de advocacia, pela pesquisa, vai optar por uma rotina flexível, com uma escala alternativa para o advogado que poderá alternar entre o trabalho em home office e na sede da empresa.

É fato que, com o home office, as empresas conseguiram reduzir custos de deslocamentos, gastos com energia, iluminação, houve ganho de tempo na realização das tarefas, mas houve perda no controle da rotina laboral dos funcionários das empresas e escritórios, o que exige uma grande sinergia, confiança, dedicação das equipes.

O atendimento a distância evoluiu muito, temos atualmente teleconferências, videoconferências e web-conferências, nas mais variadas plataformas, permitindo maior rapidez no atendimento ao cliente, o que seria impossível há 10 anos.

Evidentemente, a pandemia foi um evento traumático, terrível, mas que trouxe um grande aprendizado para a maioria das empresas e especialistas, que precisaram repensar a rotina laboral, diante da necessidade de se aprimorar e flexibilizar a jornada de cada profissional.

Em outra pesquisa, foram ouvidos oito grandes escritórios de advocacia do país sobre os planos para o retorno ao trabalho presencial e constatou-se que nenhum deles tem pressa para voltar às atividades de forma presencial.

Os motivos para isso são dois: o primeiro, obviamente, é o medo de expor advogados e demais funcionários ao risco de contaminação pelo novo coronavírus, sempre alto em ambientes fechados; o segundo é o bom funcionamento do sistema de home office, a grande surpresa desta quarentena.

Alguns representantes destes escritórios ressaltaram que a volta imediata, significaria aderir a protocolos duríssimos de segurança sanitária, a ponto de tornar a dinâmica de trabalho desconfortável, lenta e onerosa.

Muitos consideraram também, uma alternativa interessante a capacidade de prestar serviços de qualidade, sem alterar a rotina de trabalho, levantando a hipótese de permanecer em home office até 2021.

Outras bancas de escritórios brasileiros, apesar de destacarem que ficaram positivamente surpreendidos com os resultados do trabalho remoto, têm uma expectativa de retorno para outubro ou novembro, na medida em que a situação sanitária evolua favoravelmente.

Outros aspectos deverão ser levados em conta, como a reinstalação da infraestrutura adequada para o home-office, como notebooks, impressoras, escrivaninhas, material de expediente, etc., em alguns casos, praticamente um mini escritório, com funcionamento para uma equipe composta de até quatro pessoas, trabalhando em home office, no mesmo ambiente, em muitos casos, interligadas por meio digital, pode vir a atrasar o retorno.

Por outro lado, as empresas que descobriram que conseguem prestar o mesmo serviço a distância, com maior conforto, jornadas flexíveis, a um menor custo, nestes casos, muitas empresas simplesmente não retornarão ao atendimento presencial ou ao “normal”, mas manterão o atendimento remoto em home office ou através dos coworkings ou escritórios compartilhados.

Ainda é cedo para dizer se os escritórios serão transformados em estruturas home offices interligadas, e que o atendimento presencial será substituído pelo atendimento digital, por meio das videoconferências, nas mais variadas plataformas online, mas já podemos afirmar que esta é uma realidade para um número cada vez maior de empresas e escritórios de advocacia.

Esta forma de atendimento a distância, serviu também para que muitas empresas pudessem aprimorar a questão da segurança digital, tanto dos dados em nuvem, como a utilização de firewall corporativos por meio de hardware, bem como, revisar a forma de segurança de documentos e informações em revisão da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018, e contar com a assessoria de empresas especializadas em segurança cibernética corporativa.

Portanto, diante da nova realidade experimentada pela sociedade, chamada comumente de “novo normal”, o pós pandemia poderá trazer uma possibilidade de repensarmos os negócios, as empresas, a forma de atendimento, escalas de horário de trabalho, formas de atuação em equipe, atendimentos por teleconferência, videoconferência, web-conferência, reuniões a distância por videochamada através de links. Todas estas mudanças, trouxeram uma maior rapidez no atendimento ao cliente, e flexibilidade na jornada laboral, com a possibilidade de manter e até mesmo superar a qualidade de atendimento.

Texto: Bernardo César Coura

Advogado Especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial pela FGV

Especialista em Contratos pela FGV

Especialista em Direito Ambiental pela FGV e Processo Civil pelo CAD

Especialista em Direito Digital, Startups pela FGV e Marketing Jurídico

Colunista do Jornal do Síndico, EPD Cursos e Boletim do Direito Imobiliário

www.bernardocouraadvocaciaimobiliaria.com

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